Maratona Cumberbatch: Desejo e reparação


A terceira temporada de Sherlock está longe e estou sem dinheiro no momento para comprar os outros livros de Arthur Conan Doyle. Como ando com bastante tempo livre, resolvi iniciar uma pequena maratona de filmes e seriados que Benedict Cumberbatch e Martin Freeman fizeram antes de atuarem juntos no programa do Moffat.

Decidi ver primeiro os trabalhos de Cumberbatch e comecei com o filme "Desejo e reparação". Me interessei por ele há muito tempo atrás, por causa da presença de Keira Knightley. Adiei tanto que acabei não assistindo, algo que foi ótimo. É totalmente diferente do que eu esperava - pensei que seria um drama romântico "comum" - e acho que naquela época eu não teria maturidade suficiente para apreciar a história.

Briony é uma garota com uma imaginação extremamente fértil que sonha em ser escritora. Num dia quente e cheio de visitas em sua casa, e acaba presenciando algumas cenas impróprias envolvendo sua irmã Cecília e um dos empregados da casa, Robbie. Coloca na cabeça que o homem é um maníaco sexual e não tem dúvidas de quem estuprou sua prima Lola, naquela mesma noite. Todas as provas apontam contra ele, que vai preso e acaba soldado na 2ª Guerra Mundial. 

Mas tem um detalhe: ele não foi o culpado. E não foi o único a sofrer as consequências. Robbie era querido pela família, e todos sofreram terrivelmente com o crime que pensaram que cometeu e sua prisão. Cecília e Briony terminam trabalhando num hospital, anos depois, mas não se falam. A primeira passou o resto da vida terrivelmente magoada com a irmã por te-la separado do amor de sua vida. E esta fica com um remorso incessante para sempre pois, à medida que foi crescendo, percebeu a bobagem que tinha feito. 

Eu adorei a maneira não linear como o filme se desenrolou: coloca o ponto de vista de Briony para, logo depois, mostrar como tudo realmente se desenrolou. Eu vi por aí alguns comentários sobre como a história é linda. Linda aonde? É triste pra caramba!! Eu fiquei muito agoniada com o desenrolar de tudo, o estrago que uma mentira pode fazer é inimaginável. As cenas da guerra eram perturbadoramente reais, aquela em que Robbie e seus amigos vão para a praia tentando voltar é tensa mesmo. A trilha sonora só ajuda. É excelente, principalmente as músicas que imitavam o som da máquina de escrever. 

O único detalhe que me deixou irritada foi (spoiler!) o fato de que Briony, do nada, se lembrou de que o culpado era Marshall. Como assim? Não dá para acreditar que ela ficou cega a tal detalhe tão óbvio (pelo  que o flashback deu a entender) somente por causa do que havia acontecido mais cedo. Mas me impressionei com o final dele com Lola. Me pergunto se ela sabia quem realmente a havia atacado - a cena do casamento deu a impressão de que sim, mas não ficou totalmente claro.  

Achei o final incrível. Mesmo depois dele, não sei se sinto pena ou raiva de Briony. Por mais arrependida que ela estivesse, nunca conseguiria consertar o que causou. E a crítica do Pablo Villaça me fez pensar muito no detalhe que ela comenta na entrevista: (mais spoiler!) "Qual é a diferença entre o encontro de Tom Hanks e Meg Ryan ao fim de Sintonia de Amor e a felicidade demonstrada por James McAvoy e Keira Knightley naquela praia? Por que podemos aceitar um e não o outro? No final das contas, não somos sempre manipulados, de uma maneira ou de outra?".

Com certeza recomendo muito esse filme, mas não é um daqueles feitos para relaxar, não mesmo. Se ele foi tão bom, imagino que o livro deve ser melhor ainda. 

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