Maratona Cumberbatch: Criação


Um dos melhores capítulos de “O mundo de Sofia” é aquele dedicado ao desenvolvimento do grande trabalho de Charles Darwin. Mostra de um jeito muito legal como ele trabalhou para escrever o livro que tanto abalou o pensamento ocidental. Então, recomendo que dê uma olhada nessa passagem de Gaarder ou o próprio “A origem das espécies” se quiser saber mais sobre a seleção natural, e não este filme.

Para mim, o que deixou o filme tão legal foi justamente ter o foco principal em como Darwin lidou com a morte de sua filha mais velha, Annie. Durante um bom tempo ficou muito desligado do mundo, conversando com um fantasma da garota que era na verdade uma versão dele mesmo, mais corajosa e indignada. Vemos como o homem lutou consigo mesmo para enfim terminar de escrever sua teoria; não somente por causa do medo da reação do público, mais ainda por ter sido criado como cristão e achar sua própria ideia radical demais. “Você matou Deus” não foi uma frase legal de se ouvir.

E durante todo o filme nós vemos Darwin quando casado, tanto durante a felicidade da construção de uma família como a repulsa que sua esposa tem dele por suas ideias serem anticristãs. A sua viagem pelo mundo pesquisando e comparando todo tipo de espécie viva foi comentada vez ou outra, mas em segundo plano. É um olhar bem mais psicológico e um pouco melodramático e menos científico de sua vida. Alguns podem se decepcionar com isso, só que eu adorei. Documentários e livros sobre Darwin cientista já tem aos montes por aí.

Outra coisa que alguns podem não gostar é o ritmo, bastante lento e com a linha do tempo totalmente não linear. Às vezes foi meio difícil para eu conseguir me situar no momento, o que eu achava que era passado era na verdade futuro.  Uma dica para quem se perde fácil é olhar o penteado do Paul Bettany, que aliais fez uma atuação muito digna. Mas eu me impressionei mesmo com Martha West, que interpreta Annie. Nunca vou conseguir me convencer de que este foi o único trabalho dela no cinema até agora.


Apesar deste filme ser mais sobre esse drama, eu fiquei com mais vontade ainda de ler “A origem das espécies”. Só que depois de ler sobre como as traduções brasileiras tem várias falhas, pretendo pegar a versão em inglês mesmo. Mas dá uma preguiça...sabe o que é procrasinação?

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