Desafio Literário 2012 - Please look after mom

Esse livro tem um objetivo: mostrar como os seres humanos às vezes conseguem ser estúpidos a ponto de ignorar e quase esquecer de sua própria família e a sua importância. Bom, provavelmente, para aqueles que não tiveram uma família como ditam os costumes atuais, o livro pode não ser tão impactante; mas acho que nem por isso deixaria de ser tocante.

Park So-nyo é uma senhora que se perdeu. Ela tem cinco filhos e um marido que não se importam com ela do modo que deveriam. ela praticamente viveu por todos eles, não sabia mais descansar; seus sonhos foram reprimidos para que sua família tivesse conforto. Não que ela se arrependesse disso. Mas eles somente percebem tudo isso depois que ela não volta. E mais: notam o quanto não a conheciam direito. O tempo vai passando e maior fica o incrível arrependimento de não poder agradecer à mulher pessoalmente.


A linguagem do livro é bastante simples, não tive nenhuma dificuldade mesmo em lê-lo em inglês. Só que a história consegue ser bem pesada. Às vezes, até tive que fechá-lo e respirar bem fundo antes de continuar. A tristeza do pessoal e o sofrimento por não poder fazer nada pegou fundo, e o fato de So-nyo ser bem parecida com a minha própria mãe só piorava ainda mais. Não quero que isso aconteça com ela - que fique doente por falta de atenção das pessoas aqui de casa, e nem que ela deixe de comemorar seus aniversários em família para "não incomodar" os outros. Essa obra foi meio que um aviso, e eu pretendo não ignorá-lo.

"No Réveillon, eu anotei o que mais eu queria fazer da minha vida além de escrever. Só por diversão. Aquilo que eu queria fazer nos próximos dez anos. Mas eu não planejei em fazer nada com a mamãe. Nem percebi isso enquanto eu fazia a lista. Só que agora, quando eu a olho agora que a mamãe desapareceu..."
(minha tradução)
Kyung-sook Shin
Apesar de "Please look after mom" ser muito eficiente em passar sua mensagem e tenha uma ótima carga dramática, achei sua história razoável no geral. Só temos quatro capítulos e um epílogo, o que deixa a leitura meio cansativa e até repetitiva de vez em quando. O final também não me agradou nada: mesmo sendo bem interessante, se era para acabar daquele jeito, que não tivesse a história das sandálias de plástico azuis. Só deixou um gosto bem ruim na boca. E o fato de, dos cinco irmãos, só dois terem um bom aproveitamento, me deixou profundamente chateada. A autora praticamente ignorou outros dois deles.

Nem por isso o mérito do livro deve ser retirado. Acho que todo mundo deveria dar uma chance à essa história. É incrível, e ao mesmo tempo, comum, eu diria. Uma ótima leitura ao mesmo tempo em que mostra como não devemos dar valor ao que possuímos somente quando o perdemos. Se o problema é reconhecer o que devemos aproveitar, perceberemos quando alguém vem nos dizer desse jeito.

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