As estantes literárias da vida

Minha estante é o cúmulo da organização! XD
Quando vou à casa de alguém pela primeira vez, sempre olho em volta à procura de alguma biblioteca particular. Se existir alguma estante – ou prateleira mesmo – dedicada à literatura, arrumo um tempinho para analisar os títulos; tento não mexer em nada, pois sei que existem vários leitores que não curtem que seus filhotes sejam tocados por mãos estranhas. E, bom, por lá eu fico, passando o olho até terminar, ou até alguém me chamar de volta à vida.

Acho curioso como variam tanto os modos de se tratar coleções de livros! E como a maioria dos bibliófilios tem orgulho de suas coleções guardadas. Eu mesma amo a minha estante, com mais de cem exemplares à minha disposição e de todo mundo também. Contanto que não os estraguem nem desapareçam com eles, qualquer um pode levar qualquer coisa emprestada (a não ser que eu esteja lendo).


Estou meio que numa fase em que acredito que guardar livros numa estante para sempre é um desperdício desnecessário. Eles existem para serem lidos. Claro que há aqueles que eu amei tanto que a separação é inviável, mas eles são eternamente consultados, por mim e por outros. Gosto da ideia de ter uma estante em constante renovação e que também está sempre, hum, disponibilizando conhecimento.

Parte dois! 
Há aquelas pessoas que são o oposto total de mim: armazenam seus volumes como se fossem tesouros, colecionam várias edições de uma mesma história, mantêm até aquelas cujas histórias não foram boas. Tudo é separado entre as mais diversas categorias, formando uma (ou mais) estante linda e muito boa para os olhos. Provavelmente, esses leitores não vão gostar de te emprestar nada, por ciúmes e/ou medo de que os livros se percam ou sejam arruinados.

E aí eu me lembro do Ruy Barbosa, que prezava tanto a sua belíssima e rica coleção que mudava tudo de lugar assim que via alguém secando algum exemplar específico de alguma estante.

Existe também um tipo de estante literária que eu odeio: aquela que foi formada unicamente para servir de enfeite ao ambiente, para deixar o lugar um pouco mais culto. Pois comigo não funciona; essas geralmente só têm clássicos da vida à mostra, que provavelmente estarão em um estado deplorável. As prateleiras completamente empoeiradas, eu imaginando um monte de cupins e traças dentro das páginas e achando que os livros teriam mais sentido no lixo. É melhor nem ter nada.

Enfim, esses tipos que eu descrevi são extremos. Há tantas outras variações que dá preguiça de escrever mais, e talvez nunca terminasse. Na minha opinião, contanto que esses livros da estante cumpram ou tenham cumprido com o seu propósito – seja ele somente entreter, ou ajudar nos estudos, ensinar visões sobre a vida, o universo e tudo mais, infinitos “etc.” – eu já fico feliz.

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