Fora aos intelectual bitches

Meme Literário de Um Mês - décimo nono dia

O que você acha da elitização da leitura? 
Você acha querealmente só é intelectualizado aquele que lê os clássicos da literatura? Que ler 1000 livros "de banca" não equivalem à 10 clássicos? O que você acha das pessoas que criticam a literatura "para a massa"? É mesmo possível julgar o nível de intelecto de uma pessoa pelo o que ela lê? Você tem preconceitos literários? 


Eu já passei por uma fase "intelectual bitch", desprezando blockbusters, modinhas literárias e aqueles que os liam. Claro que não ficava dizendo isso para as pessoas, né? Criticava os outros só comigo mesmo - mas nem por isso era menos idiota. Hoje, posso dizer com toda a certeza que pagar de intelectual assim só mostra o quão babaca uma pessoa é, além de ser uma grande perda de tempo. Oras, se o objetivo principal da literatura é diversão, cada um deveria ter o direito de escolher o que quer sem precisar de críticas inúteis. 

Há tantas maneiras de ser intelectualizado sem precisar de clássicos! Meu irmão mal lê os livros que a escola pede e é inteligente pra caramba. Como, você pergunta? Assistindo Discovery Channel e outros canais de documentários. Ele se diverte muito e aprende um monte de coisa que provavelmente vai me ensinar depois - e que eu só vou saber por causa dele. Música também é uma fonte incrível de conhecimento - System of a Down foi o que me abriu os olhos para muito do que acontece por aí, como o genocídio armeniano. 

E não importa quantos clássicos você ler na vida, se tudo for absorvido de maneira pobre somente para adicionar mais um volume à lista, aquele que pegou um monte de young adults terá aproveitado melhor e enriquecido muito mais a mente. Livros não devem ser lidos para os outros. Bom, a não ser se a escola exigir. Mas estamos falando de leitura por lazer, e ler o que não tem vontade faz pouco sentido.

Isso significa aceitar e respeitar os seus próprios preconceitos literários. Eu não sou fã de romances água-com-açúcar, então evito as obras do Nicholas Sparks. Não escolho biografias porque acho entendiante ler sobre as vidas de pessoas importantes para a história da humanidade. Ainda assim, acho importante enfrentar esses sentimentos ruins. Já encontrei muita coisa boa enquanto lendo aquilo que eu julgava não gostar; livros policiais eram detestáveis para mim antes de Sherlock Holmes, e histórias de piratas passaram a ser incríveis depois de "Piratas do Caribe"*.

Faz muito bem mudar de gostos de vez em quando, não é à toa que eu participo de desafios literários. E por isso o único leitor que hoje me faz erguer a sobrancelha é aquele que ficou preso a um gênero para o resto da vida. Isso é limitador demais...mas não é da minha conta. Há outros assuntos sobre os quais podemos conversar.


*PS: Sim, é cinema. Só que eu não posso ignorar que foi por causa desses filmes que eu passei admirar "literatura marítima". 

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