as dores da escrita

Quando a minha mão começou a doer, ainda não tinha terminado de preencher uma folha. Após ter terminado a terceira página, fui forçada a dar um tempo, ou teria quebrado o meu pulso com o esforço. Seria bizarro chegar na emergência e dizer que a causa foi escrever demais. Sendo que “demais” equivale a pouco menos de cem linhas...

Quando estava no ensino fundamental, eu adorava escrever. Tinha não sei quantos cadernos e enchia praticamente tudo, com deveres de casa, fanfiction e confissões adolescentes. Copiava o quadro negro com capricho e ainda tinha energia para fazer exercícios. Agora, estou na faculdade, e fico cansada depois de uma aula em que precisei preencher uma página de informações. Copiar do quadro é quase lenda agora - para que fazer isso, se o professor vai mandar os slides por email? Se alguém vai tirar foto e pasar para todo mundo?

O dever de casa é escrito em fonte Arial, tamanho 11. Quando preciso usar lápis e papel, é só para rabiscar as respostas. Hoje, precisei fazer diferente e escrever de verdade, e demorei mais que o tempo normalmente necessário para terminar. O braço ainda dói pelo esforço, e a caligrafia saiu corrida e feia, aquela mesmo que antes era tão fofa. Pelo menos ainda é inteligível, mas será que dura?

Será que vai mesmo chegar um ponto em que o teclado irá substituir a caneta?

Poderia isso ser algo bom...?

Sério, isso faz minha mão cair. 



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